terça-feira, 27 de julho de 2010

Cloud Tales

Existe no Homem a necessidade psicológica ou capacidade criativa de atribuir formas concretas a imagens abstractas.
Tem como tendência auto-projectar-se no mundo que o rodeia e reconhecer em algo aparentemente comum e banal
imagens próprias. Isto acontece quando um observador contempla um quadro abstracto e “vê” nele figuras humanas ou quando alguém reconhece, por exemplo, rostos nas nuvens.
   O método de trabalho perante este assunto partiu de uma recolha de elementos fotográficos, cujas
imagens foram usadas como estímulo ao surgimento do desenho e da sua emergência da mancha.
Desta forma, dá-se continuidade a um género de desenho relaxado e quase inconsciente que me tem vindo a interessar ao longo do meu percurso individual – os doodles. Esses desenhos surgem do aborrecimento e da tentação do papel, por exemplo à beira do telefone, que induz ao acto de riscar alheadamente. 




Cloud Tales,
Esferográfica s/papel,
Dimensões variáveis





Tower Tales(du Tachisme),
Acrílico, Ecoline, esferográfica s/papel
Dimensões Variáveis

Ana Neves

Narcissic Private Eye

A obra consiste em duas imagens e um vídeo. “Narcissic”, cuja tradução para português significa narcísico remete para o carácter contemplativo da autora sobre si própria. A intenção consistiu numa representação segundo este ponto de vista. Levou-se a ideia do narcisismo ao extremo, chegando ao momento em que a minha imagem se passa a reflectir sobre objectos do quotidiano, neste caso uma chávena de chá. Deste modo pretendeu-se transmitir uma certa alienação da parte de quem se projecta em tudo o que o rodeia, o que acaba por ser também uma pequena paródia. As palavras narcisismo e narcótico derivam da palavra grega “narke”, que significa entorpecido.
A lenda de Narciso contada por Ovídeo narra a história da ninfa Eco e da sua paixão por Narciso. Este era muito belo e, sobrevalorizando-se, rejeitou a afeição de Eco. Esta definhou restando-lhe apenas a voz, que repetia as palavras finais dos outros, dificultando-se assim, ainda mais o diálogo entre os dois. A deusa Nemésis aplicou um castigo a Narciso, condenando-o a apaixonar-se pelo seu próprio reflexo na lagoa de Eco.
Encantado consigo próprio e indiferente a tudo, não se conseguiu afastar do seu reflexo. Acabou por morrer de inacção.  No local nasceu a flor chamada narciso.
A referência a esta atitude narcísica dirige-se ao egocentrismo para a auto-representação. 
“Private Eye” em inglês significa detective privado, diz-se detective privado (à letra, “olho privado”, ou seja, aquele que “espreita”)» «...o olho do homem que projecta o seu olhar para o mundo exterior e exige que o mundo se lhe revele.» Paul Auster (Trilogia de Nova Iorque) Esta parte do trabalho refere-se mais a uma tomada de posição dirigida ao observador que, inesperadamente, passa a observado. Pode também ser considerada uma crítica à situação voyeurista que se vive actualmente; à invasão de privacidade que, por vezes usa o pânico dos atentados, etc..., como desculpa.

Narcissic Private Eye 1, 2007,
Fotografia s/papel,
Dimensões variáveis

Narcissic Private Eye 2, 2007,
Fotografia s/papel,
Dimensões variáveis



Vídeo Brevemente Disponível


Ana Neves


domingo, 25 de julho de 2010

Permanência

Permanência 1, 2007
Fotografia a cores s/papel;
24,45 x 36,5 cm


Permanência 2 , 2007
Fotografia a cores s/papel;
24,66 x 36,5 cm



Ainda à Espera, 2007; 
Exposição de Fotografia no Teatro Aveirense,
Aveiro.


Espera

Espera 1,2 e 3, 2007
Fio s/fotografia a preto e branco;
25 x 16,67 cm
Legenda - Fio e letras impressas s/papel 

Ana Neves

Exposição Itinerante

Procurou-se utilizar uma linguagem visual própria conciliando o acto de riscar com o carácter de carta. Os trabalhos apresentam-se fragmentados com uma simbologia codificada, que pode surgir de forma consciente ou não. Tal deve-se à intenção de livre circulação deste trabalho por várias pessoas. A intenção foi abordar conceitos de intimidade, identidade, privacidade, voyeurismo (uma carta é usualmente pessoal e intransmissível). Ao mesmo tempo iniciou-se uma viagem, percurso, por destinos que não estão pré-definidos e articularam-se questões sobre os meios de comunicação e a globalização, de forma implícita.
Ao enviar o envelope quis criar um meio que possibilitasse a partilha e divulgação do trabalho para a fruição de outros. Estamos perante parte de uma exposição itinerante e princípios de democratização da Arte.




Envelope 1, 2006
Técnica mista/papel






Envelope 6, 2006
Técnica mista/papel 




Envelope 9, 2006
Técnica mista/papel 






Envelope 10, 2006
Técnica mista/papel 






Espelho Meu


Espelho Meu I, 2005
Fotocópia, marcador s/espelho, moldura;
47 x 70,5 x 3 cm


Espelho Meu III, 2005
Fotocópia, marcador s/espelho, moldura;
47 x 70,5 x 3 cm

Ana Neves



Doodles

Doodle 13, 2005
Técnica mista s/papel;
32, 5 x 40 x 14, 5 cm




Table Doodle, 2005
Técnica mista s/papel e madeira;
76 x 74, 5 x 73,5 cm


Ana Neves

Álbum

Álbum, 2003
Ecoline e esferográfica s/papel
   33 x 24,4 cm

Álbum, 2003
Ecoline e esferográfica s/papel
   33 x 24,4 cm

Álbum, 2003
Ecoline e esferográfica s/papel
   33 x 24,4 cm




Ana Neves